OS QUATRO MIL ANOS DO PLANO REDENTOR DE DEUS
I – QUATRO MIL ANOS: DE ADÃO AO CORDEIRO DE DEUS
Quando observamos a história das Escrituras, percebemos que Deus conduz a humanidade segundo um plano perfeito e um calendário soberano. Embora a Bíblia não apresente uma data específica para a criação de Adão, diversos estudiosos reconstruíram essa cronologia a partir das genealogias, dos reinados e dos acontecimentos históricos registrados nas Escrituras. A cronologia mais conhecida é a do arcebispo James Ussher (1581–1656), que situou a criação por volta de 4004 a.C.. Existem pequenas diferenças entre as diversas cronologias, mas todas convergem para uma conclusão semelhante: aproximadamente quatro mil anos transcorreram entre Adão e a primeira vinda de Jesus Cristo.
Esse primeiro grande período representa a história da humanidade sob o domínio do pecado. Tudo começou quando Adão desobedeceu ao Senhor no jardim do Éden. A partir daquele momento, o pecado entrou no mundo, trazendo consigo a morte, a corrupção, a dor e a separação entre Deus e o homem. Ainda no Éden, porém, Deus anunciou a primeira promessa da redenção ao declarar que a descendência da mulher pisaria a cabeça da serpente (Gênesis 3:15). Desde então, toda a história bíblica caminhou em direção ao cumprimento dessa promessa.
Quando chegou a plenitude do tempo, conforme escreveu o apóstolo Paulo, Deus enviou o seu Filho ao mundo. Jesus veio exatamente no momento determinado pelo Pai, não antes nem depois. Ao morrer na cruz e ressuscitar dentre os mortos, tornou-se o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, cumprindo a promessa feita desde o princípio e oferecendo salvação à humanidade. Assim, os aproximadamente quatro mil anos entre Adão e Cristo revelam o grande ciclo da humanidade aguardando a manifestação do Redentor prometido.
II – QUATRO MIL ANOS: DE ABRAÃO AO REI DOS REIS
Existe, porém, um segundo paralelo igualmente impressionante. A tradição cronológica baseada nas Escrituras situa o nascimento de Abraão por volta de 2000 a.C.. Embora essa data também seja aproximada, ela é amplamente aceita entre os estudiosos da cronologia bíblica. Isso significa que, desde o chamado de Abraão até a nossa geração, transcorreram também aproximadamente quatro mil anos.
Esse fato torna-se extraordinário quando observamos a promessa feita por Deus ao patriarca:
“Em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:3).
Com Abraão, Deus iniciou uma nova etapa do seu plano redentor. Se em Adão começou a história da queda, em Abraão começou a história da promessa. Deus separou um homem, depois uma família e, posteriormente, uma nação, para que, por meio dela, viesse o Salvador do mundo.
Essa promessa começou a cumprir-se na primeira vinda de Jesus Cristo, descendente de Abraão segundo a carne. Por meio dele, a salvação foi anunciada a todas as nações, cumprindo o propósito de Deus de abençoar todos os povos da terra. Entretanto, seu cumprimento ainda não alcançou sua plenitude. A promessa feita a Abraão encontrará sua realização completa quando Cristo voltar em glória para estabelecer definitivamente o Reino de Deus, restaurar todas as coisas, julgar as nações e reinar para sempre.
Percebemos, assim, dois grandes ciclos da história da redenção. O primeiro começa com Adão e culmina na primeira vinda de Cristo, quando o pecado recebe sua sentença na cruz. O segundo começa com Abraão e caminha para o seu desfecho em nossa geração, aguardando o retorno daquele que não virá mais como o Cordeiro sacrificado, mas como o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Essa harmonia impressiona pela sua beleza. Adão representa a entrada do pecado; Cristo, o Cordeiro de Deus, representa sua derrota na cruz. Abraão representa o início da promessa; Cristo, o Rei dos reis, representa o cumprimento definitivo dessa promessa no estabelecimento do Reino eterno. Os primeiros quatro mil anos conduzem ao sacrifício do Cordeiro; os aproximadamente quatro mil anos iniciados com Abraão conduzem ao retorno glorioso do Rei.
É importante destacar que este estudo utiliza a expressão “aproximadamente quatro mil anos”, reconhecendo que diferentes cronologias apresentam pequenas variações. Essas diferenças, entretanto, não alteram o quadro geral nem comprometem a extraordinária harmonia do plano divino. O objetivo não é estabelecer datas absolutas nem marcar o dia da volta de Cristo — algo que o próprio Senhor declarou pertencer exclusivamente ao Pai —, mas demonstrar que Deus conduz a história segundo tempos determinados.
Ao contemplarmos esses dois grandes períodos de quatro mil anos, percebemos que toda a história converge para uma única pessoa: Jesus Cristo. Na primeira parte desse plano, Ele veio como o Cordeiro de Deus, oferecendo sua vida para remover o pecado do mundo. Na segunda, voltará como o Rei dos reis, para consumar todas as promessas feitas a Abraão, restaurar Israel, julgar as nações, estabelecer o Reino eterno e fazer descer do céu a Nova Jerusalém.
Assim, os aproximadamente quatro mil anos de Adão ao Cordeiro de Deus e os aproximadamente quatro mil anos de Abraão ao Rei dos reis proclamam uma mesma verdade: Deus nunca perdeu o controle da história. O Senhor continua conduzindo o seu calendário com absoluta fidelidade. Aquele que cumpriu todas as promessas relacionadas à primeira vinda de Jesus cumprirá igualmente todas as promessas relacionadas ao seu glorioso retorno. E, quando esse dia chegar, toda a criação reconhecerá que nenhum dos tempos estabelecidos por Deus falhou e que sua Palavra permanece verdadeira para sempre.
“Porque todas quantas promessas há de Deus são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus.” (2 Coríntios 1:20).
