ESTAMOS NO INÍCIO DO TRÍPLICE MILÊNIO
Ao observarmos a cronologia bíblica tradicional e os grandes marcos da história da redenção, percebemos um paralelo extraordinário. A presente geração vive um momento singular, no qual três grandes ciclos cronológicos convergem para um mesmo período da história. Embora essa compreensão não constitua uma profecia explicitamente declarada nas Escrituras, ela revela uma impressionante harmonia no desenvolvimento do plano redentor de Deus.
É importante esclarecer que essas datas não aparecem reunidas em um único versículo da Bíblia. Elas resultam da reconstrução da cronologia bíblica realizada a partir das genealogias, dos reinados e dos acontecimentos históricos registrados nas Escrituras. Entre os estudiosos que mais se destacaram nesse trabalho está o arcebispo irlandês James Ussher (1581–1656), cuja cronologia situou a criação de Adão por volta de 4004 a.C. e o nascimento de Abraão aproximadamente por volta de 2000 a.C.. Durante séculos, essa cronologia foi publicada nas margens de inúmeras edições da Bíblia, especialmente da Bíblia King James, tornando-se a referência cronológica mais conhecida do cristianismo.
É verdade que existem pequenas diferenças entre as diversas cronologias bíblicas, decorrentes principalmente das variações entre o Texto Massorético, a Septuaginta e o Pentateuco Samaritano. Entretanto, essas diferenças não alteram o panorama geral apresentado neste estudo. Quando utilizamos expressões como “aproximadamente quatro mil anos”, “terceiro milênio”, “quarto milênio” ou “sétimo milênio”, estamos adotando a cronologia bíblica tradicional, especialmente a linha cronológica desenvolvida por Ussher, como instrumento histórico para compreender o desenvolvimento do plano da redenção.
À luz dessa cronologia, observa-se um paralelo impressionante: vivemos aproximadamente no início do terceiro milênio contado desde a ressurreição de Cristo, no início do sétimo milênio contado desde Adão e no cumprimento aproximado do quarto milênio contado desde Abraão. Três grandes linhas cronológicas convergem para a mesma geração, fortalecendo a expectativa da consumação do plano redentor de Deus.
I – O INÍCIO DO TERCEIRO MILÊNIO DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
A morte e a ressurreição de Jesus constituem o maior acontecimento da história da humanidade. Pela cruz, o pecado foi vencido; pela ressurreição, a morte foi derrotada para sempre.
Há aproximadamente dois mil anos, Cristo ressuscitou dentre os mortos e inaugurou uma nova etapa da história da salvação. Hoje, segundo a cronologia bíblica tradicional, vivemos no início do terceiro milênio contado a partir desse acontecimento extraordinário.
Foi o próprio Senhor quem prometeu:
“E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo.” (João 14:3).
Vivemos, portanto, não apenas celebrando a ressurreição de Cristo, mas aguardando o cumprimento da promessa de sua segunda vinda. O terceiro milênio da ressurreição é o tempo da esperança, da vigilância e da expectativa pelo retorno glorioso daquele que venceu a morte.
II – O INÍCIO DO SÉTIMO MILÊNIO DO DESCANSO
Desde Gênesis, Deus estabeleceu um padrão que percorre toda a Bíblia: seis períodos de trabalho seguidos por um período de descanso.
O sétimo dia da criação, o sábado, o ano sabático, o Jubileu e toda a estrutura dos “setes” do Apocalipse apontam para a consumação do plano divino.
O apóstolo Pedro escreveu:
“Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” (2 Pedro 3:8).
Pedro não estabelece uma fórmula para marcar datas, mas revela que Deus governa o tempo de maneira diferente da nossa. Desde os primeiros séculos do cristianismo, muitos intérpretes observaram um paralelo entre os seis dias da criação e os seis grandes milênios da história humana, seguidos pelo descanso simbolizado no sétimo dia.
Essa compreensão encontra um paralelo notável em Apocalipse 20:
“E prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.” (Apocalipse 20:2).
Durante esse período, Satanás permanecerá preso, Cristo reinará com os seus santos e a terra experimentará o grande descanso aguardado desde a criação. O descanso anunciado no sétimo dia de Gênesis encontra sua expressão histórica no Reino Messiânico, quando o grande adversário da humanidade será impedido de enganar as nações.
III – O CUMPRIMENTO DO QUARTO MILÊNIO DA PROMESSA FEITA A ABRAÃO
Segundo a mesma cronologia bíblica tradicional, Abraão nasceu aproximadamente por volta do ano 2000 a.C.. Isso significa que nossa geração também vive o cumprimento aproximado do quarto milênio contado desde o patriarca.
Foi a Abraão que Deus declarou:
“Em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:3).
Com Abraão iniciou-se uma nova etapa da história da redenção. Deus chamou um homem, formou uma família, levantou uma nação e preparou o caminho para a vinda do Messias.
Na primeira vinda de Cristo essa promessa começou a cumprir-se. O Evangelho foi anunciado às nações, exatamente como Deus havia prometido. Contudo, sua consumação ainda aguarda o retorno glorioso de Jesus, quando Israel será plenamente restaurado, o Reino será estabelecido e todas as promessas feitas aos patriarcas alcançarão seu cumprimento definitivo.
Assim, o quarto milênio da promessa não aponta apenas para o passado, mas conduz a história ao seu desfecho, quando todas as bênçãos prometidas a Abraão serão plenamente manifestadas em Cristo.
CONCLUSÃO
É extraordinário perceber que três grandes linhas cronológicas parecem convergir para o mesmo período da história.
Vivemos no início do terceiro milênio da ressurreição de Cristo, aguardando a volta daquele que venceu a morte.
Vivemos no início do sétimo milênio da história da humanidade, simbolizado desde a criação como o grande tempo de descanso e associado, por muitos intérpretes cristãos ao longo da história, ao reinado de Cristo e à prisão de Satanás.
Vivemos também no cumprimento aproximado do quarto milênio da promessa feita a Abraão, aguardando sua consumação definitiva, quando todas as nações reconhecerão o governo do Messias.
Esses paralelos cronológicos não têm a finalidade de estabelecer datas para a volta de Jesus, pois o próprio Senhor declarou:
“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.” (Mateus 24:36).
O propósito deste estudo é outro: demonstrar a extraordinária coerência do plano redentor de Deus ao longo da história. O mesmo Senhor que chamou Abraão no tempo determinado, enviou seu Filho na plenitude do tempo e preservou sua Igreja ao longo dos séculos continua conduzindo a história segundo o seu perfeito calendário.
Se, no início do terceiro milênio da humanidade, Deus levantou Abraão para iniciar a história da promessa; se, no início do terceiro milênio da promessa, Deus enviou Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus; torna-se profundamente significativo que nossa geração viva simultaneamente o início do terceiro milênio da ressurreição, o limiar do sétimo milênio da história humana e o cumprimento aproximado do quarto milênio da promessa feita ao pai da fé.
A história aproxima-se de sua consumação. O Cordeiro que veio para tirar o pecado do mundo voltará como Rei dos reis e Senhor dos senhores. O descanso anunciado desde o sétimo dia da criação encontrará sua plenitude, Satanás será definitivamente derrotado, todas as promessas feitas a Abraão serão plenamente cumpridas e Deus estabelecerá o seu Reino eterno sobre novos céus e nova terra.
Então toda a criação reconhecerá que o Senhor jamais perdeu o controle da história. Cada geração caminhou segundo o seu calendário soberano, cada promessa cumpriu-se no tempo determinado, e o Deus que realizou fielmente tudo o que prometeu na primeira vinda de Cristo cumprirá igualmente, no tempo estabelecido, todas as promessas relacionadas ao seu glorioso retorno.
Entretanto, este capítulo representa apenas uma parte desse grande panorama profético. Se estes paralelos cronológicos despertaram sua atenção, convido você a prosseguir a leitura deste livro, especialmente dos capítulos dedicados às profecias de Daniel e do Apocalipse. Neles examinaremos cuidadosamente a sucessão dos impérios mundiais, os períodos proféticos revelados por Deus, a restauração de Israel, os sinais anunciados por Jesus, o desenvolvimento dos acontecimentos finais e o estabelecimento definitivo do Reino de Deus.
O objetivo não é convencer o leitor por argumentos humanos, nem despertar medo ou sensacionalismo, mas incentivar cada pessoa a fazer aquilo que a própria Palavra de Deus recomenda: examinar cuidadosamente as Escrituras. Os bereanos foram elogiados porque “examinavam cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11). Esse também é o convite deste livro: abrir a Bíblia, comparar profecia com profecia, confrontar a história com a Palavra de Deus e permitir que as próprias Escrituras conduzam às conclusões.
Ao percorrer os estudos sobre Daniel e o Apocalipse, o leitor poderá verificar como Deus revelou, séculos antes, a sucessão dos impérios, a dispersão e a restauração de Israel, a expansão mundial do Evangelho e muitos dos acontecimentos que hoje testemunhamos diante de nossos olhos. Ao reunir todas essas peças do grande mosaico profético, cada pessoa poderá avaliar por si mesma se realmente vivemos um período singular da história da humanidade, marcado por acontecimentos que apontam para a proximidade da consumação do plano redentor de Deus.
Minha oração é que este estudo fortaleça sua fé, renove sua esperança e desperte em seu coração um compromisso ainda maior com Jesus Cristo. Mais importante do que compreender cronologias é conhecer o Senhor da história. Mais importante do que identificar os tempos é estar preparado para encontrar Aquele que prometeu voltar.
Se, ao concluir a leitura deste livro, você perceber que as profecias de Daniel, os ensinamentos de Jesus e as revelações do Apocalipse convergem de maneira extraordinária para os acontecimentos que presenciamos em nossos dias, compreenderá por que tantos cristãos, ao longo dos séculos, aguardaram com esperança a volta de Cristo e por que existem fundamentos bíblicos consistentes para afirmar que vivemos às portas desse glorioso acontecimento.
Que esse conhecimento não produza curiosidade, mas fé; não gere especulações, mas vigilância; não desperte medo, mas esperança. Que ele o conduza a uma vida de santidade, perseverança e confiança naquele que fez a maior promessa de toda a Bíblia:
“Certamente cedo venho.”
E que a resposta da Igreja seja também a sua:
“Amém. Ora vem, Senhor Jesus.” (Apocalipse 22:20).
